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Amamos o desejo, não o desejado
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Livre de quê?
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Sem Remédio
Aqueles que me tĂȘm muito amor
NĂŁo sabem o que sinto e o que sou...
NĂŁo sabem que passou, um dia, a Dor
Ă minha porta e, nesse dia, entrou.
E Ă© desde entĂŁo que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!
Sinto os passos de Dor, essa cadĂȘncia
Que Ă© jĂĄ tortura infinda, que Ă© demĂȘncia!
Que Ă© jĂĄ vontade doida de gritar!
E é sempre a mesma mågoa, o mesmo tédio,
A mesma angĂșstia funda, sem remĂ©dio,
Andando atrĂĄs de mim, sem me largar! -
Súplica
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada. -
Quem teme ser vencido, tem
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Das Utopias
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25 de Abril
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Vamos morrer
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Elegia 1938

Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as naçÔes não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.HerĂłis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renĂșncia, o sangue-frio, a concepção.
Ă noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrĂvel despertar prova a existĂȘncia da Grande MĂĄquina
e te repÔe, pequenino, em face de indecifråveis palmeiras.Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negĂłcio do espĂrito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitĂssimo tempo de semear.Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque nĂŁo podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.







